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Antigo PDN contribuiu para diminuição da população de Natal

O município de Natal perdeu mais de 50 mil habitantes em comparação com 2010, de acordo com o Censo Demográfico de 2022, divulgado nesta quarta-feira (28). A perda, segundo o demógrafo Ricardo Ojima, está relacionada a um movimento de descentralização urbana aliada ao aumento do custo de moradia em grandes centros. Em Natal, esse encarecimento aconteceu, em grande parte, devido à desatualização do Plano Diretor, que ficou sem revisão entre 2007 e 2022, o que gerou aumento no valor dos imóveis ao longo dos anos, em consequência da baixa oferta, segundo Thiago Mesquita secretário de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal.

Magnus Nascimento


O baixo coeficiente de aproveitamento em bairros natalenses comparados com regiões das cidades vizinhas, como Nova Parnamirim e Cidade Verde, tornaram os terrenos menos atrativos para empresários locais. Ou seja, era mais vantajoso construir mais em lotes mais baratos na Região Metropolitana, do que optar por terrenos mais caros com baixo coeficiente de aproveitamento em bairros de Natal, segundo o secretário. Essa movimentação fez com que o número de imóveis construídos caísse em Natal e aumentasse no entorno da cidade.


“Em Nova Parnamirim, Abel Cabral e Maria Lacerda, o coeficiente de aproveitamento era 3.0. Então, quem ia empreender, pensava assim: 'Aqui eu posso construir 3x mais do que atravessando a rua, do outro lado, em Natal e os terrenos são até um pouco mais baratos do que em Neópolis. Lá em Cidade Verde, o aproveitamento era 2.5. Então, eu posso construir o dobro com terrenos bem mais baratos do que no bairro de Ponta Negra. Foi isso que deu o 'boom' para Cidade Verde e Nova Parnamirim”, comentou em entrevista à Jovem Pan News Natal, na manhã desta quinta-feira (29).


Essa tese é corroborada pela arquiteta e urbanista, Sophia Motta. “A alta de preços de alguéis se deu nos ultimos anos pela baixa oferta de novos produtos, isso decorrente de alguns fatores, dentre eles o Plano Diretor de 2007 que restringiu o desenvolvimento imobiliário na cidade, limitando a área onde se poderia construir e baixando o potencial da cidade como um todo. É claro que esse não foi o único fator, mas com certeza foi um fator considerado importante neste resultado”, comenta.

O Novo Plano Diretor deve gerar um maior aproveitamento dos terrenos em Natal, atraindo a atenção dos empresários para novas construções. De acordo com a proposta, toda a cidade passou a ser tratada como zona adensável, com potencial construtivo, como se toda parte tivesse as mesmas condições de infraestrutura para a população, com exceção das zonas de proteção ambiental.

A expectativa para os próximos anos com a maior oferta de produtos, de acordo com Motta, é que mais pessoas passem a morar em Natal. “Com o Novo Plano Diretor, a expectativa é que hajam novos lançamentos imobiliários, uma diversidade de habitações ofertadas para a cidade. A expectativa é que tenham mais empreendimentos imobiliários para todas as classes. Então, com mais oferta, a tendência econômica natural é que baixem-se os preços”, afirma.


Ao mesmo tempo que Natal perdeu população, cidades ao redor ganharam mais habitantes do que o esperado. É o caso de Extremoz, região metropolitana, que teve o terceiro maior crescimento do Brasil e passou a ocupar a lista das 10 maiores cidades do RN, saindo de 24.550 habitantes em 2010 para 61.381 habitantes em 2022.

Quem faz parte da população do município é Albanize Silva, 35, que conseguiu comprar um imóvel com preço mais atrativo na cidade há cerca de cinco anos. “A gente estava procurando para comprar e como eu sou pobre, conseguimos mais em conta. No caso, nem só o imóvel, mas o condomínio também, então decidimos comprar lá”, conta. Ainda segundo a dona de casa, o custo de vida em Extremoz é melhor do que em Natal, o que a faz permanecer na cidade.


Em 2010, a capital potiguar tinha 803.739 moradores. O número caiu para 751.300 habitantes em 2022, uma redução de 6,52% em relação aos dados anteriores. Essa é a primeira queda registrada desde que a cidade teve seus dados divulgados pelo Censo. De 1970 até 2010, a tendência sempre foi de aumento populacional.


Descentralização


O Brasil passa por um movimento natural de descentralização das metrópoles, ou seja, a população mais pobre sai da grande cidade para pagar menos em aluguel nos arredores, enquanto a parcela mais rica sai da cidade para morar em condomínios de alto padrão que, por sua vez, não se localizam dentro de Natal. A capital potiguar segue o mesmo processo. É o que explica o demógrafo Ricardo Ojima. “A questão do mercado imobiliário tem impacto importante e é este o motivo pelo qual outras regiões metropolitanas passam pelo mesmo processo”, diz.


“A sede da metrópole costuma ter uma infraestrutura mais consolidada, com mais equipamentos urbanos e, portanto, o preço do solo acaba sendo maior e os municípios periféricos ainda têm áreas em expansão, com menos estrutura e acabam atraindo essa população”, explica.

Esse fenômeno não é exclusividade de Natal, mas pode ser observado em outros grandes centros. “Essa é uma tendência que já vem acontecendo em outras regiões metropolitanas do Brasil. As cedes metropolitanas, capitais, têm perdido população para seu entorno. Não é uma coisa surpreendente e não é exclusividade de Natal. Associado a isso, a gente tem uma diminuição geral do crescimento da população do Brasil”, detalha.





Com informações da Tribuna do Norte.

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