Campina Grande (PB), Caruarau (PE) e Mossoró (RN): cidades das maiores festas juninas do Nordeste

Atualizado: há 4 dias

As festas juninas em homenagem a Santo Antônio, São João e São Pedro mobilizam a cultura, o comércio, a culinária e fazem aflorar a alegria e o sentimento de religiosidade do povo nordestino


Festa Junina no Nordeste (Imagem: Reprodução)


O mês de junho chega e o povo brasileiro já começa a animação e os preparativos para viver o clima das festas juninas, resgatando as comemorações, que no Brasil, remontam ao século XVII, mas já iniciada na Idade Antiga e Idade Média, com a cristianização dos romanos, com homenagens às celebrações aos santos católicos, especialmente São Antônio, São João e São Pedro.


Em decorrência da pandemia da Covid-19, nos dois últimos anos (2020 e 2021), por recomendações sanitárias, as comemorações alusivas às festas juninas não forram realizadas ou as foram de forma bem tímida, mas neste ano (2022), com o relativo controle da doença, o povo, mesmo obedecendo algumas restrições médicas, volta às praças e ruas para comemorarem as tradicionais e milenares festas em homenagem aos referidos santos.


E nestes locais e espaços de resgaste cultural, as cidades de Campina Grande, Caruaru e Mossoró estão fazendo valer os títulos de maiores festas juninas do Nordeste. Mesmo sabendo que tais festas são realizadas pelo Brasil afora, com destaques também para as festas em Salvador (BA) e São Luís (MA), parece ser inquestionável que as festas juninas das três cidades do interior da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte são inigualáveis. Inclusive, até há uma disputa saudável sobre qual das três cidades interioranas faz a melhor das melhores festas juninas.


Em meio a tantos problemas sociais e políticos enfrentados, inclusive com muitas perdas humanas em decorrência da Covid-19, fome e miséria, as pessoas estão aproveitando este período de festas juninas para extrapolarem seus ânimos, buscando na dança, na energia do reencontro, nos rituais populares e na força da fé cristã, inspirações para continuarem a vida e meditarem um pouco sobre o passado, sem esquecerem do futuro.


Interessante mencionar que, apesar das festas juninas homenagearem os três santos (Santo Antônio, São João e São Pedro), culturalmente observa-se que o povo e o próprio comércio dão mais ênfase às festas alusivas ao São João, que é realizada no dia 23 de junho, véspera do dia destinado ao Santo (24). Parece, portanto, que São João Batista é um santo mais prestigiado, pelo menos quando da realização, participação popular e o envolvimento das pessoas com estas comemorações.


Da Campina Grande junina


São João Campina Grande - Imagem: reprodução


A cidade de Campina Grande, localizada no interior do Estado da Paraíba e considerada um dos polos industriais da Região Nordeste, promove as festas juninas que, para muitos, é considerado a maior festa popular nordestina.


Pelas restrições da pandemia da Covid-19, há dois anos não eram realizadas as festas juninas naquele Município paraibano, mas neste ano (2022), as comemorações festivas estão de volta, com uma extensa programação de atividades, com apresentações culturais e artísticas locais e de todo o Brasil.


A festa começou no dia 10 de junho de 2022 e se estenderá até o dia 10 de julho, quando se dará o encerramento das atividades alusivas a Santo Antônio, São João e São Pedro. Percebe-se, portanto, que as festas juninas realizadas em Campina Grande, com um mês inteiro de muitas atrações culturais, alberga todas as datas comemorativas dos referidos santos e, inclusive indo além delas, já que adentra ao mês e Julho, o que reforça a notoriedade de que se trata da grande festa do ano, superando a própria festa da padroeira da cidade, Nossa Senhora da Conceição, que se realiza no final do ano.


Da Caruaru junina


Caruaru - Imagem (reprodução)


Caruaru (conhecida pela a Princesa do Agreste) é uma cidade do interior do Estado de Pernambuco, portanto encravada no Nordeste brasileiro e, não por acaso, é conhecida nacionalmente e pelo mundo afora por promover grandes festas juninas. Para se ter uma ideia, por estimativa, em 2019 a organização do evento entende que mais de 3 milhões de pessoas compareceram ao São João, o que faz acreditar que ali é realizado o “Melhor São João do Mundo”.


Também sem realizar as festas juninas há dois anos, a cidade de Caruaru volta a realizar a grande festa popular que a levou ao título de maior forró do Brasil. A terra da fartura, como também é conhecida Caruaru, abriu as festividades no dia 4 de junho de 2022 e segue até o dia 2 de julho e, assim como Campina Grande, literalmente, homenageia os três santos que deram a nomenclatura a grande festa.


Da Mossoró cidade junina


Foto: Wesley Duarte


Mossoró (conhecida por a capital do oeste potiguar) é a maior cidade do interior do Estado do Rio Grande do Norte, conhecida pelas suas belezas naturais, cultura e lazer. Localizada no ponto médio entre as capitais Natal e Fortaleza, é considerada uma das melhores cidades do Nordeste para se viver. Conhecida, também, pela cidade onde ocorreu o primeiro voto feminino e a única que botou Lampião e sua tropa para correr, não permitindo que o grupo de cangaceiros sequer entrasse na cidade.


Como se observa, Mossoró é culturalmente uma cidade da arte e de luta em defesa do seu povo. E, como tal, não poderia se ausentar de promover as festas juninas, uma dos maiores eventos que vem sendo realizado naquela urbe do interior do RN. A Mossoró Cidade Junina é a nomenclatura dada ao evento festivo realizado na capital do Oeste Potiguar, que todos os anos acontece no mês de junho e tem sido realizado no espaço cultural Estação das Artes Elizeu Ventania.


Suspensa nos últimos dois anos em decorrências da pandemia causada pelo coronavírus, “O Mossoró Cidade Junina 2022” iniciou a sua 25ª edição no dia 4 de junho, com a grande festa de abertura apresentando o “Pingo da Mei Dia”, uma atração que reuniu mais de 200 mil pessoas. O encerramento das festividades juninas em Mossoró ocorrerá no próximo sábado (25).


Das atrações artistas e culturais


Na programação dos eventos realizados nas três cidades, constatam-se apresentações comuns dos artistas locais, assim como de nomes como Wesley Safadão, Bel Marques, Xand Avião, Elba Ramalho, Fagner, Alceu Valença, Dorgival Dantas e muitas outras atrações como danças e rituais populares. Também, podem ser notados os concursos de marchinhas, os festivais de quadrilhas juninas, o forró, os carros elétricos e a cobertura feita pelos órgãos de imprensa.


Das comidas típicas


Boa parte dos pratos servidos nas festas juninas é feita com milho - Imagem -Reprodução


Mesmo diante das dificuldades financeiras que assolam grande parte do povo brasileiro, as pessoas não abdicam de manter a tradição das festas juninas e sempre encontram um jeitinho de celebrar a colheita da safra agrícola resultado dos plantios feitos nos últimos dois ou três meses com a chegada das chuvas no Nordeste (principalmente com a prática da agricultura de subsistência familiar), tais como o milho verde (cozinhado e assado nas brasas das fogueiras), além da pamonha, canjica, pipoca, curau e o bolo de milho ou fubá, são servidas durante os festejos.


Trajes e hábitos das festas juninas


A volta dos festejos juninos não só trouxe o restabelecimento das comidas típicas, mas também dos trajes específicos, dos enfeites com bandeirinhas e as e bebidas, fogueiras, fogos de artifício e outros artefatos feitos com pólvora (como bombinhas), assim como as danças (as famosas quadrilhas juninas) e os cânticos.


A festas juninas e a mobilização nas economias locais


As festas juninas, além dos aspectos religioso e sociocultural, mobilizam a economia das cidades e faz circular renda, tanto por intermédio do comércio e trabalho formais, como pelas ações e trabalhos informais, neste caso por intermédio de vendas em barracas improvisadas, com o comércio de água, refrigerantes, pipocas e as tradicionais comidas e trajes típicos disponibilizados nos locais dos eventos.


Interessante que as festas juninas, atividades religiosas que são, sempre interferem diretamente na vida da comunidade local, influenciando diretamente, não só na economia e geração de renda, mas nos hábitos, costumes, crenças e no aguçamento do sentimento religioso das pessoas.


Importante, também, que não se pode deixar de mensurar o grau de mobilização das populações locais, com o envolvimento na realização da festa. Ademais, tem o investimento que as atividades turísticas, inclusive de outras cidades e até de Estados diferentes fazem ou deixam para o respectivo Município, já que se tornam consumidores de alimentos e de prestação de serviços, com retorno de renda para a cidade anfitriã e para o Estado.



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