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Emparn diz que calor só deve diminuir a partir de maio: “Natal se transformou em uma ilha de calor”

Aumento na temperatura das águas no Oceano Atlântico, maior umidade relativa no ar e ventos mais fracos são elementos que justificam aumento na temperatura

Vendedor Paulo Muniz celebra alta nas vendas com aumento da temperatura. Foto: José Aldenir / Agora RN


Se quem mora em Natal tem reclamado do calor constante, a Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn) afirma que a sensação de calor chegou ao auge e deve durar até o final de abril. Ainda de acordo com a Empresa, a principal cidade do RN se transformou em uma ilha de calor. A causa seria a temperatura acima do normal nas temperaturas das águas do oceano atlântico, que causam maior umidade relativa no ar e com correntes de ventos mais fracas, causando uma espécie de efeito estufa natural e mantendo temperaturas mais altas. Segundo a Emparn, as temperaturas devem diminuir somente com a proximidade do inverno.


De acordo com Gilmar Bristrot, meteorologista da Emparn, o calor não é sentido apenas na Grande Natal, mas também no interior do estado. Ainda assim, ele afirmou que esta onda de calor não está relacionada à que atinge outras regiões do País, como Centro-Oeste, Sul e parte da região Sudeste.


“Esse calor aqui, que está acontecendo aqui na Grande Natal, praticamente todo o Nordeste, principalmente a faixa litorânea, é devido às condições do oceano atlântico, aqui próximo do litoral do nordeste, que está com temperaturas até 2ºC acima do normal, em torno de 29ºC a 30 ºC. Isso está fazendo com que haja uma maior umidade relativa no ar, que é trazida a partir do oceano aqui para o continente. Como o vento está fraco, aumenta essa temperatura porque a umidade retém calor sobre a superfície na Grande Natal. Tipo um efeito estufa, mas natural. O calor que é emitido pela superfície não se perde para a atmosfera, porque tem uma taxa de umidade relativa do ar acima do normal, mantendo as temperaturas mais altas”, explicou.


Na praia de Ponta Negra, na Zona Sul da capital potiguar, mesmo em época de baixa temporada, alguns vendedores afirmam que o calor tem ajudado nas vendas de bebidas. “Tem vendido mais água de coco, mais cerveja. Mais água mineral é água de coco. Mas também não deixa de vender cerveja gelada. Terça e ontem vendi duas caixas. Quem gosta, aproveita com esse calor aí vem e toma uma cervejinha mesmo”, disse Paulo Muniz, vendedor ambulante que atua em um ponto da principal praia da cidade.


Os ambulantes, inclusive, agora esperam os próximos feriados e as férias de meio do ano para aumentar o faturamento. “Agora é [período de] baixa. A Semana Santa dá uma melhorada, 1º de maio. Aí, depois, só no meio do ano para melhorar”, contou Italo Rocha, outro ambulante que atua em Ponta Negra.


Segundo Bristrot, a temperatura deve ficar mais amena a partir de maio, mês que se aproxima da chegada do inverno, que começa no dia 20 de junho. “A curto prazo, o que nós podemos ter é a chegada do período de inverno, a partir de junho, julho, então você terá menos incidência de radiação solar, você terá mais formação de nuvens, e a tendência é a temperatura diminuir um pouco. Mas não a ponto de chegarmos às temperaturas que tínhamos no passado”, adiantou.


Temperatura mais alta em Natal é permanente, afirma meteorologista


Outro ponto que colabora para a sensação de calor, é a formação de ilhas de calor, um fenômeno climático urbano caracterizado pela ocorrência de maiores temperaturas nas cidades em relação aos arredores. Segundo Gilmar, é exatamente esta a situação da capital potiguar. “O aumento da população, impermeabilização do solo com asfalto, verticalização da cidade, retirada da cobertura verde, vegetação, tudo isso tem transformado Natal numa ilha de calor. Então isso aí é um fator permanente, não tem mais como reverter essa situação a não ser com mudanças drásticas”, pontuou.


Parte disso é explicado pela diferença entre o albedo das superfícies. Este conceito estudado na geografia indica a capacidade de reflexão da luz solar de determinada superfície. Superfícies mais claras possuem maior poder de reflexão da luz solar, ou seja, maior albedo, enquanto as superfícies escuras refletem menos, menor albedo.


O meteorologista apontou algumas soluções para diminuir a temperatura em Natal. “Plantar mais árvores, dar preferência para outro tipo de material para as ruas, que não seja o asfalto, promover a circulação melhor do vento na cidade. Mas como já tem um Plano Diretor aprovado que prevê o aumento da verticalização da cidade, então eu acho difícil que o cenário que nós tínhamos na década de 1960 volte a atuar aqui na Grande Natal. Nós tínhamos uma temperatura média em torno de 25ºC, hoje a temperatura média em Natal está acima de 27ºC”, afirmou.


Para ele, entretanto, a situação de temperaturas mais altas, principalmente considerando décadas atrás, é irreversível.


“O que preocupa muito é que a temperatura mínima está também acima do normal. Dificilmente nós teremos novamente um clima que nós tínhamos na década de 1960, 1970. Então esse cenário que nós temos aí, com temperaturas mais elevadas, é permanente”, explicou.


Mesmo assim, segundo o meteorologista, o natalense vai precisar se adaptar à nova realidade, que é de temperaturas mais altas. “O natalense vai ter que se acostumar com este cenário de mais calor. Não tanto como está acontecendo agora, porque temos este fator das águas do oceano mais aquecidas, liberando mais umidade, e fazendo com que a sensação térmica seja maior”, concluiu.




Agora RN.



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