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Estudo aponta que Dunas do Rosado estão diminuindo

Palco de novelas, filmes e séries e sendo uma das principais belezas naturais do Rio Grande do Norte e da América do Sul, as Dunas do Rosado correm o risco de diminuir de tamanho e até mesmo de perder sua característica “desértica” nos próximos anos. É o que apontam pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que revelam já existirem perdas do tamanho da duna nos últimos 14 anos, além da possibilidade de contaminação biológica na área caso providências não sejam tomadas. As Dunas do Rosado fazem parte de uma área considerada Patrimônio Natural do RN e estão localizadas entre as cidades de Porto do Mangue e Areia Branca, região Oeste do Estado.



Dunas do Rosado já foram cenário para séries e novelas. Segundo pesquisadores, paisagem é unica na América do Sul / Cedida


As conclusões dos pesquisadores e professores do Departamento de Geografia da UFRN surgiram durante o desenvolvimento de uma outra pesquisa que tem como intuito avaliar a viabilidade de se tornar a Costa Branca do RN num Geoparque, como aconteceu com o Geoparque Seridó, nos últimos anos. Segundo o professor Marco Túlio Mendonça Diniz, que é integrante do Grupo de Pesquisa Gestão Integrada da Zona Costeira, a área das Dunas do Rosado não tem recebido a alimentação de sedimentos advindas do oceano e da praia em virtude de uma vegetação de algarobas que se intensificou na região nos últimos anos. Segundo o professor, a algaroba não é uma planta nativa da região.


“As Dunas do Rosado estão posicionadas num lugar um pouco elevado depois de uma pequena falésia com areias vermelhas. Os ventos do litoral jogam a areia da praia que é branca junto com essa areia vermelha e por isso cria aquela característica única no Brasil. Recentemente, percebemos que essa floresta de algaroba está freando a velocidade dos ventos e a areia da praia e da falésia não abastecem mais a duna. Essa duna tende a migrar mais para o interior, só que a fonte de areia dela, a praia, está barrada por conta dessa floresta de algarobas. Há uma tendência dessas dunas ficarem cada vez menores por conta da falta de areia”, alerta o professor, mostrando fotos de drones tiradas por ele próprio em março deste ano.

O professor aponta que por ser uma planta que expele toxinas, a algaroba acaba suprimindo outros tipos de vegetação. Com a presença de jumentos e cabras na região, que acabam se alimentando dos frutos das árvores, sua disseminação acaba se tornando mais rápida.


“Essa algaroba também está matando o ecossistema natural, que era de restinga. Ela faz sombra e “mata” tudo que tem embaixo. A algaroba foi introduzida no Brasil pelo Governo, pela Embrapa, com uma das áreas pioneiras sendo Angicos. Ela se adaptou facilmente, porque a vagem dele é doce e os bichos gostam de comê-la. Nisso, ela se espalha e nenhuma outra espécie consegue dominá-la pois ela solta toxinas que matam tudo que tem ao redor”, analisa.

“A solução é desmatar essa algaroba e tentar fazer o replantio das espécies nativas de restinga. Tem impactos, mas para se fazer isso precisaria-se de autorização do Idema, que precisará fazer um estudo de viabilidade técnica para isso para propor como fazer esse desmatamento”, justifica o professor.


Idema

O Instituto do Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do RN (Idema) disse que ainda não possui estudos específicos para a área referente às Dunas do Rosado, mas que vai iniciar diagnósticos para avaliar o alerta dos pesquisadores. Segundo o diretor-técnico do instituto, as recentes análises feitas por equipes do Idema não apontaram ainda uma descaracterização “crítica” nas Dunas do Rosado.


O diretor técnico do Idema, Werner Farkatt, comenta que a algaroba foi introduzida no Nordeste por meio de programas de incentivo governamentais federais na década de 80. “Esse programa trazia o modelo de cultivo da algaroba para o fornecimento de vagem e ração para pecuária”, cita. “Nós temos sim uma interação de vegetação nativa, formada principalmente por jurema e leucenas, leguminosas e parecidas com a algaroba, que são comuns nessa zona transicional onde a caatinga chega no litoral. É possível ter também vegetação tipo algaroba”, explica.


“Ainda não identificamos elementos críticos. A equipe da APA Dunas do Rosado tem acompanhado e neste momento ainda estamos observando essa relação, mas não se percebe uma condição tão alarmante. Óbvio que vamos avaliar esses estudos dos pesquisadores, mas a dispersão dessas espécies ocorre de forma heterogênea e o campo de dunas é bem mais vasto”, aponta.


O diretor técnico do Idema, Werner Farkatt cita ainda que a alimentação das Dunas do Rosado ocorrem com a chegada de sedimentos advindos do Oceano Atlântico e dos rios Conchas e dos Cavalos, que fazem parte da Bacia Piranhas-Açu.


“Isso é retrabalhado pelos ventos e levado para dentro do continente. É isso que alimenta o campo de dunas. Precisamos ter mais preocupação com a oferta de sedimentos que vem da zona Oceânica e costeira para formação do campo de dunas. A presença dessa vegetação pode minimizar o fluxo de parte desse sedimento, mas até então não temos observado algo tão expressivo que venha a descaracterizar o campo de dunas. Pelo contrário, em alguns pontos temos observado o soterramento de algumas vegetações pela grande oferta ainda de sedimentos”, finaliza.


Dunas do Rosado foram palco de novelas e séries famosas As Dunas do Rosado compreendem uma área de 16,5 mil hectares de extensão e estão localizadas entre as cidades de Porto do Mangue e Areia Branca, região Oeste do Rio Grande do Norte. O espaço é considerado único e o fenômeno não é visto em outros lugares da América Latina, segundo o professor Marco Túlio Diniz. “Esse é o cenário quando se quer gravar algo no Brasil, com algo semelhante ao deserto do Norte da África e a Oriente Médio. É uma paisagem única na América do Sul toda. Turisticamente e culturalmente é uma área muito importante para o Estado”, complementa. A manhã e no fim do dia.O lugar já serviu de cenário para novelas como “Flor do Caribe” e “O Clone” da TV Globo, a série “3%”, da Netflix, e o filme “Maria, mãe do filho de Deus”, da Universal Studios.



Com informações da Tribuna do Norte.

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