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Faturamento na Indústria potiguar cai até 40% com crise na segurança

A crise na segurança pública do Rio Grande do Norte provocada por ataques criminosos ao longo de dez dias seguidos, gerou uma perda estimada em 40% no setor industrial do estado. O resultado está num levantamento divulgado nesta quarta-feira (29) pela Federação das Indústrias (Fiern), por meio do Observatório da Indústria MAIS RN.


Produção nas empresas foi interrompida parcialmente ou por completo / JOSÉ EDUARDO LACERDA


Foram pesquisadas 266 indústrias no dia 17 de março e na última terça-feira (28), representando mais de 30 segmentos nas quatro mesorregiões do estado e a perda de faturamento se deu durante os dias mais críticos da crise que começou com incêndios a ônibus, veículos e prédios públicos, bem como atentados a bala na madrugada do dia 14. Os últimos registros oficiais da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesed/RN) datam do dia 24.

Segundo a Fiern, os entrevistados estimaram de 17% até 40% de perda de faturamento, conforme porte da empresa (micro, média ou grande) e ramo de atuação (CNAE principal). Considerando os dados do Boletim Fiscal da Secretaria de Tributação (SET), que apontam, em média, uma movimentação diária da indústria potiguar de R$ 63,1 milhões (Valor Médio Diário das Operações/NF-e) no mês de março, e as estimativas dos entrevistados, é possível que, nos piores dias da crise na segurança, as perdas tenham sido entre R$ 10,7 milhões e R$ 25 milhões por dia. Porém, a confirmação real das perdas só ocorrerá com fechamento dos caixas das empresas até o dia 15 de abril de 2023 e publicação oficial da SET.


De acordo com o levantamento, 48% das indústrias já voltaram às rotinas anteriores ao início dos ataques e 52% acreditam no retorno completo à normalidade a partir da próxima semana. Entre os maiores problemas enfrentados estavam a logística (distribuição e recebimento de fornecedores); o estresse verificado nos trabalhadores; e a falta de funcionários que não conseguiam chegar ao trabalho por falta de transporte público. Todos esses problemas impactaram diretamente na produção, visto que 27% das indústrias entrevistadas precisaram interromper turnos de trabalho ou mesmo parar completamente a produção (21%) por, pelo menos, um dia.

Na sondagem realizada na terça-feira o cenário mudou. Dos onze problemas listados pelas indústrias no dia 17 de março, apenas seis permanecem sendo observados: o desafio logístico (21%) e de transporte público (23%), mas ambos em menor intensidade. A questão do transporte público gera, em consequência, redução de turnos (17%). Importante destacar que o retorno integral da frota em Natal e Região Metropolitana só ocorreu nesta quarta-feira, um dia após a sondagem.

As respostas relativas ao dia 17 de março demonstraram especial atenção dos entrevistados à perda imediata de faturamento. Já no dia 28, com maior normalização da produção, o foco girou em torno das conseqüências e externalidades negativas no ambiente de negócios potiguar.


Ambiente de negócios

Quanto ao ambiente de negócios potiguar, o levantamento da Federação das Indústrias constatou-se que, diante da retomada a níveis maiores de produção, a preocupação se deslocou para: o aumento do número de inadimplência entre clientes do setor do comércio e serviços que sofreram impactos econômicos e não estão em condições de cumprir obrigações presentes e futuras; eventual redução na produção, tendo em vista o aumento substancial no estoque gerado pela queda nas vendas durante a primeira semana de crise; aumento nos preços da logística e distribuição, com impacto direto no preço dos produtos; a publicação do Decreto Estadual nº 32.542, em 24 de março 2023, que altera a alíquota do ICMS de 18% para 20%, o que representa, diante de todo o ocorrido, mais um elemento de perda de competitividade para indústrias potiguares.




Com informações da Tribuna do Norte.

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