Greve dos professores de Natal deixa 51% dos alunos sem aulas


Foto: Adriano Abreu


A greve da rede de educação municipal de Natal deixa 51% dos alunos sem aulas atualmente. De acordo com levantamento da Secretaria Municipal de Educação (SME), são 28.497 crianças sem aulas e 83 escolas afetadas, entre Ensino Infantil e Fundamental. A rede tem 55.176 alunos no total. Do todo, 17 Centros Municipais de Educação Infantil (CMEI) funcionam parcialmente, o que afeta 6.596 crianças, ou 43,96% dessa faixa de idade. Das escolas de ensino fundamental, 63 funcionam parcialmente e três estão totalmente paradas, impactando assim o ensino de 21.901 estudantes, ou 54,52% deles.


Sem nenhuma paralisação, estão em funcionamento apenas seis escolas do ensino fundamental (8,33%). Com todas unidades abertas, 57 CMEIs (77,03%) funcionam com 100% dos servidores. Os dados foram coletados até sexta-feira (1°) pelo Departamento de Gestão Escolar. Segundo a Prefeitura do Natal, a expectativa é por um desfecho da greve ao longo da semana.


Representantes do Sinte e SME se reuniram na quarta-feira passada (30), para tratar da implantação do Piso de 33,24% do Magistério relativo ao ano de 2022, principal reivindicação da categoria. Entretanto, nenhuma proposta de pagamento do reajuste foi apresentada. Atualmente, a SME também não informou nova data para reunião entre as partes.

Sobre as negociações, a Prefeitura, por meio de sua assessoria de comunicação, disse que não há nada de novo a apresentar sobre o tema, mas espera uma conclusão ainda nessa semana. De acordo com o Sinte-RN, a SME alegou durante a reunião que ainda não finalizou o levantamento de impacto financeiro para viabilizar uma proposta de pagamento aos professores. Também afirmaram que a greve irá continuar por tempo indeterminado, até que os professores possam entrar em acordo com o município sobre o reajuste. O Sinte afirmou que vai montar acampamento em frente à Câmara Municipal nesta semana, como estratégia para conseguir contato com vereadores, a fim de tentar sanar a demanda da categoria.


O piso foi implantado nacionalmente e se aplica a profissionais com formação em magistério em nível médio - vinculados a instituições de ensino infantil, fundamental e médio das redes federal, estadual e municipal - que têm carga horária de trabalho de 40 horas semanais. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), a medida abrange professores, diretores, coordenadores, inspetores, supervisores, orientadores e planejadores escolares em início de carreira. Mais de 1,7 milhão de profissionais serão impactados, de acordo com o Ministério da Educação (MEC). O reajuste está previsto em lei desde 2008.


O movimento grevista reivindica, além da implantação do Piso, melhores condições estruturais e sanitárias nas escolas/CMEIS e a realização de concurso público na educação municipal. O último item, segundo a SME, já está encaminhado. O processo para contratação da banca realizadora do concurso reivindicado pela categoria está na Secretaria de Administração.

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