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Inca estima mais de 7 mil casos de câncer infantojuvenil até 2025

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 7.930 casos de câncer infantojuvenil por ano no Brasil até 2025. Ao todo, o país tem expectativa de 704 mil novos casos no mesmo período de tempo. Pensando neste público e no Dia Mundial do Câncer, que acontece neste sábado (4), a TRIBUNA DO NORTE reuniu informações disponibilizadas pelas instituições de apoio em Natal, como a Casa de Apoio à Criança com Câncer Durval Paiva e o Grupo de Apoio a Criança com Câncer (GACC RN) sobre como identificar os principais sinais e a importância do diagnóstico precoce para maiores chances de sucesso.



Apesar de projetar quase 8 mil casos de câncer até 2025, INCA considera que a mortalidade por câncer vai cair nos anos seguintes / Tânia Rêgo


O primeiro passo é procurar um médico para que sejam feitos os exames que chegarão ao diagnóstico de maneira mais eficaz, após a identificação dos sinais. Pessoas que residem no interior do Estado devem procurar um médico na comunidade, como em Unidades Básicas de Saúde. No caso de suspeita de câncer, o responsável deve procurar a Secretaria de Saúde do município para que seja feito o encaminhamento para o Hospital Infantil Varela Santiago, em Natal, segundo orientação divulgada pelo Grupo de Apoio a Criança com Câncer (GACC).


De acordo com a assistente social do GACC, Marici Medeiros, o diagnóstico precoce é de extrema importância para aumentar as chances de curas do paciente. Ela diz ainda que, por mais que essa etapa seja imprescindível, muitas mães ainda encontram dificuldades no Sistema Único de Saúde, quando médicos descartam a possibilidade da doença e colocam outros disgnósticos como possíveis. “Infelizmente, ainda dependem da equipe médica. Quando a mãe vai pela primeira vez na unidade de saúde, no hospital ou na UPA, o médico pede exames específicos. Ainda acontece muito da criança ir para o hospital e começar a tratar coisas que não tem nada a ver. É injeção, é verme, sintomas do crescimento e isso vai retardando o diagnóstico precoce”, afirma.


“Tem casos que a criança já é encaminhada diretamente para o hospital [Varela Santiago], aí tem mais chances de cura”, complementa a assistente social. De acordo com ela, é necessário se atentar aos sinais mais frequentes e procurar diversos especialistas, tanto nas UBS's, quanto nas UPA's. “O que pode fazer é voltar para o hospital, se persistir, e ver se tem sorte de encontrar um profissional diferente”, diz.


Já segundo a Casa de Apoio Durval Paiva, geralmente os médicos solicitam uma bateria de exames variados, como: análises do sangue, radiografias, ultra-sonografias ou tomografias para esclarecer o problema. Após a confirmação do diagnóstico, outros exames podem ser feitos para identificar se o câncer é localizado ou está espalhado pelo corpo. Esta parte é chamada de estadiamento e determina o andamento do tratamento.


Além de todo o tratamento, outro fator importante de acordo com o INCA, é o esclarecimento de todo o quadro de saúde para a criança e adolescente. Esse esclarecimento advém, principalmente, dos pais ou responsáveis e da equipe multidisciplinar nos hospitais ou casas de apoio. Segundo a instituição, uma conversa franca sobre a doença pode gerar “apaziguamento da angústia” para os pais e o próprio paciente.


Casos

Segundo o INCA, os tumores mais frequentes na infância e na adolescência são as leucemias (que afetam os glóbulos brancos), os que atingem o sistema nervoso central e os linfomas (sistema linfático). Além destes, são corriqueiros o neuroblastoma (tumor de células do sistema nervoso periférico, frequentemente de localização abdominal), tumor de Wilms (tipo de tumor renal), retinoblastoma (afeta a retina, fundo do olho), tumor germinativo (das células que originam os ovários e os testículos), osteossarcoma (tumor ósseo) e sarcomas (tumores de partes moles).


No Brasil, o câncer representa a primeira causa de morte – cerca de 8% do total - por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos e em torno de 80% das crianças e adolescentes acometidos da doença podem ser curados, se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados, informa a instituição.


Mortalidade prematura deve cair a partir de 2026


A mortalidade prematura por câncer no Brasil deverá diminuir no período de 2026/2030. A projeção foi feita por pesquisadores do Instituto Nacional de Câncer (Inca), em comparação à mortalidade prematura observada entre 2011 e 2015, para a faixa etária de 30 a 69 anos de idade, com dados do Sistema Nacional de Informações sobre Mortalidade (SIM). Apesar disso, a redução prevista ficará ainda distante da Meta 3.4 dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), que estabeleceu até 2030 diminuição do risco de morte prematura de um terço para doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), que incluem os diversos tipos de câncer.


A pesquisadora Marianna Cancela, da Coordenação de Prevenção e Vigilância do Inca (Conprev), informou à Agência Brasil que, para certos tipos de câncer, há previsão de aumento e, para outros, de queda. Para 2026/2030, a previsão é de uma redução nacional de 12% na taxa de mortalidade padronizada por idade por câncer prematuro entre os homens e uma queda menor, de 4,6%, entre as mulheres. Em termos regionais, há uma variação de 2,8% entre as mulheres, na Região Norte, a 14,7% entre os homens, na Região Sul. As previsões foram calculadas usando o software Nordpred, desenvolvido pelo Registro de Câncer da Noruega, e amplamente utilizado para fazer previsões de longo prazo sobre a incidência e mortalidade por câncer.


Marianna explicou que, quando se fala em número de casos, todos os tipos de câncer terão aumento no período compreendido entre 2026 e 2030 por duas razões. A primeira envolve o aumento da população e mudança na estrutura populacional, com o envelhecimento de boa parcela dos brasileiros, para quem a maioria das DCNTs são mais prevalentes; a segunda razão é o aumento dos fatores de risco.


De acordo com o estudo do Inca, o câncer de intestino, ou colorretal, é o que deverá apresentar maior aumento de risco de óbitos prematuros para homens e mulheres até 2030, no Brasil, de cerca de 10%. Por regiões, o Norte do país deve mostrar o maior aumento (52%) entre os homens, seguido pelo Nordeste (37%), Centro-Oeste (19,3%), Sul (13,2%) e Sudeste (4,5%). Segundo Marianna Cancela, a incidência mais alta “é consequência da chamada ocidentalização, dos hábitos de vida, maior obesidade, sedentarismo, a questão da alimentação, com preferência por consumir produtos industrializados”. Nas regiões onde a incidência está mais baixa atualmente, é previsto um aumento maior. Entre as mulheres, o Nordeste lidera, com projeção de expansão de 38%, seguido por Sudeste (7,3%), Norte (2,8%), Centro-Oeste (2,4%) e Sul (0,8%).


O câncer de intestino é o segundo tipo mais incidente no país, ficando atrás do de próstata entre os homens, e do de mama, entre as mulheres. O Inca estima que, em cada ano do triênio 2023/2025, serão diagnosticados cerca de 46 mil casos novos de câncer colorretal, correspondendo a cerca de 10% do total de tumores diagnosticados no Brasil, à exceção do câncer de pele não melanoma.


Atente-se aos sinais


Os sinais descritos são comuns a inúmeras doenças da infância menos graves e não significa que a criança ou o adolescente tem câncer. Cabe ao profissional de saúde saber a diferenciação e nunca medicar a criança sem um diagnóstico correto, acarretando um tratamento inadequado.

- Febre persistente sem causa identificada; - Manchas roxas sem machucados visíveis ou sangramento inexplicável (boca, nariz, ouvido e ânus);

- Aumento do volume abdominal ou dores constantes na barriga; - Perda de peso; - Íngua com crescimento progressivo; - Crescimento dos olhos ou conjuntivite crônica; - Dores nos ossos e nas juntas, com ou sem inchaços; - Anemia inexplicável ou palidez acentuada; - Vômitos acompanhados de dores de cabeça, diminuição da visão ou perda de equilíbrio; - Reflexo branco na pupila ao incidir a luz (olho de gato).



Com informações da Tribuna do Norte.

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