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Lembre o dia em que Natal parou para ver o Rei Pelé

Rei morreu nesta quinta, aos 82 anos. Pesquisador lembra jogos de Pelé no RN e g1 resgata entrevistas com ex-jogadores e repórter que cobriu duelo histórico entre Santos e ABC em 1972.


Duelo entre Santos de Pelé e ABC de Alberi em 1972 parou Natal — Foto: Ribamar Cavalcante/Acervo pessoal


Natal teve a honra de receber por três vezes o maior jogador de futebol da história. E numa delas, em 1972, o Rei Pelé, que morreu nesta quinta-feira (29) aos 82 anos, fez a cidade praticamente parar.


Na oportunidade, cerca de 50 mil pessoas - parte considerável da população da época - acompanharam o duelo entre Santos e ABC pelo Campeonato Brasileiro.


A euforia pelo tricampeão mundial - o único até hoje na história do futebol -, pelo time do Santos, pelo duelo com o ídolo abecedista Alberi, vencedor da Bola de Prata da Placar naquela temporada e que morreu em outubro deste ano, fizeram o jogo se transformar num evento histórico na capital.


Relembre as passagens

O g1 relembra as três vezes que o Rei Pelé desfilou seu talento pelo Rio Grande do Norte - todos na década de 1970.


Foram dois encontros do camisa 10 do Santos com o América-RN, sendo um amistoso, e um duelo contra o ABC, que registrou um dos maiores públicos da história do antigo Estádio Castelão. O levantamento foi feito pelo pesquisador Marcos Trindade.

Em três jogos em Natal, Pelé marcou cinco gols.
  • 12 de dezembro de 1971 - Em amistoso disputado no Estádio Juvenal Lamartine, o Santos venceu o América-RN por 2 a 1, com gols de Pelé e Edu. Amorim descontou para o Alvirrubro.

  • 29 de novembro de 1972 - Em confronto pela primeira divisão do Campeonato Brasileiro, o Santos bateu o ABC por 2 a 0 no Castelão, também com gols de Pelé e Edu.

  • 26 de setembro de 1973 - No Castelão, também pelo Brasileiro, o Santos goleou o América-RN por 6 a 1, com três de Pelé. Mazinho, Euzébio e Hermes também marcaram para o time paulista e Santa Cruz fez para o Alvirrubro.

"O jogo de 1972, contra o ABC, marcou muito por causa do estádio, pelo público pagante de 49.150 torcedores. Isso representava 20% da população de Natal, que tinha entre 200 e 250 mil habitantes na época. Muitas pessoas também vieram de cidades vizinhas. Foi um grande acontecimento", falou Marcos Trindade ao ge em entrevista em 2020.

Diário de Natal lembra derrota do América-RN para o Santos de Pelé — Foto: Acervo Marcos Trindade


Natal parou para ver o Rei

Em 2015, nas comemorações pelo centenário do ABC, o ge publicou reportagem especial sobre este duelo contra o Santos de Pelé, da qual foram resgatados alguns trechos a seguir.


Capitão do time de Natal em 72, o zagueiro Edson teve a ingrata missão de marcar o xará mais famoso do mundo e lembrou que teve que se conter para não tietar o "Atleta do Século".


"Pelé foi o mais completo que o mundo já conheceu. O que você pensar que um jogador pode fazer de bem feito ele fazia: tinha velocidade, chutava bem com as duas pernas, era um grande cabeceador, era catimbeiro e tinha um grande porte físico. Então, eu era fã dele, mas eu me contive. Eu pensei: 'Não, ele aqui é o meu adversário'", contou Edson em 2015.


Em campo, o ABC conseguiu suportar a pressão do Santos durante todo o primeiro tempo, muito graças à solidez defensiva da equipe. Porém, logo nos primeiros 10 minutos da segunda etapa, com gols de Edu e Pelé, a equipe paulista se impôs e fez valer o favoritismo.


"Eu respeitei Pelé em uma jogada, em uma dividida com ele. Eu fiquei com medo de machucá-lo. Imagina eu lesionar o 'Rei'? Eu ia ficar com um peso na consciência. Eu poderia ter ganho o lance se eu fosse um pouco mais duro, mas eu nunca fui um zagueiro maldoso. Apesar disso, nas divididas eu entrava sempre para ganhar, não importava quem fosse. Mas por respeito ao Rei do Futebol eu fui mais devagar", revelou Edson à época.
  • ABC x Santos: 49 mil pessoas para ver duelo entre Alberi e Pelé em 1972


Maior ídolo da história do ABC, Alberi também enfrentou o Rei Pelé neste duelo pelo Brasileiro de 1972, ano em que viria a ganhar a Bola de Prata. Alberi morreu em outubro deste ano aos 77 anos


"Esse dia aí foi um espetáculo maravilhoso que aconteceu no Rio Grande do Norte, que foi o que colocou mais público dentro do Castelão, na época. Mais de 50 mil pessoas. Pelé é um cara fora de série. Um cara que nunca viu o Pelé jogar me pergunta se ele jogava mesmo. É brincadeira!", disse à época.

Ex-jogador e pesquisador Ribamar Cavalcante guarda foto com o Rei Pelé, no antigo Hotel Reis Magos, em Natal — Foto: Acervo Ribamar Cavalcante


O Santos ficou hospedado no antigo Hotel Reis Magos, o melhor hotel da cidade na época, localizado na Praia do Meio, que foi demolido recentemente. O ex-árbitro Cézar Virgílio era repórter de rádio e fez a cobertura do jogo. Ele relembrou uma situação envolvendo Pelé que o emocionou.


"O Santos foi sair para treinar no antigo Castelão e tinha um público do lado de fora do hotel tentando quebrar o bloqueio de seguranças. No meio desse povo tinha uma velhinha, uma senhora com os seus 70 anos, por aí. Ela gritava e tentava falar com os jogadores, e o pessoal continuava a se empurrar tentando fazer o mesmo. Os jogadores iam entrando no ônibus sem problemas", contou Cézar.

"Quando Pelé estava para entrar no ônibus, ele avistou essa senhora no meio do povo. Na mesma hora ele pediu que os seguranças abrissem caminho para que ela passasse, e ela passou. Na porta do ônibus, Pelé perguntou a aquela senhora o que ela queria, e ela respondeu dizendo que gostaria somente de falar com ele e lhe dar um abraço. Foi quando Pelé pegou a camisa de treino, que ele usaria no treinamento do Castelão, e deu a ela. O pessoal bateu palmas e a senhorinha ficou que não se aguentava de alegria".


O ex-árbitro disse que se emociona com a situação sempre que lembra.


"Até hoje quando eu lembro dessa situação eu me emociono. Esse tipo de comportamento e esse tipo de ação é que caracterizam o carisma do Pelé, que elevou ele ao status de ídolo".

Cézar Virgílio entrevista Pelé no antigo Castelão, em Natal — Foto: Foto: Arquivo pessoal


Hotel do Rei

Em 1974, Pelé recebeu do então governador do Rio Grande do Norte, Cortez Pereira, a doação de um terreno na praia de Ponta Negra, em Natal. Na época, a chamada Empresa Potiguar de Promoção Turística (Emprotur) via a iniciativa como forma de divulgar o estado. Muitos anos depois, um grupo de investidores se juntou ao Rei do Futebol para construir o King's Flat Hotel, até hoje em funcionamento. O hotel tem uma estátua de Pelé, além de objetos como camisa e bola autografados.

Estátua de Pelé em hotel em Natal — Foto: Foto: Reprodução/Trip Advisor





Por g1 RN

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