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Paralisação compromete 2 mil cirurgias após 13 dias

Pacientes que precisam fazer cirurgias eletivas ou exames eletivos com a necessidade de anestesia estão com os procedimentos comprometidos há 13 dias, completados nesta quarta-feira (28), em unidades hospitalares do Rio Grande do Norte que contam com serviços prestados por profissionais da Cooperativa dos Anesteseologistas do Estado (Coopanest-RN) para a rede pública. Com pagamentos em atraso e sem diálogo com a Prefeitura do Natal e Governo do RN, quem sofre em meio à indefinição é a população. A suspensão dos procedimentos cirúrgicos faz crescer a fila de pacientes eletivos no Estado, enquanto a paralisação de exames, como na Liga Contra o Câncer, atrasa diagnósticos.

Na Liga contra o Câncer, a paralisação afeta não apenas as cirurgias, mas também exames, como biópsias e tomografias / Adriano Abreu


De acordo com estimativa da Coopanest, cerca de 2 mil cirurgias eletivas deixaram de ser feitas desde o início da paralisação, tendo como base a média mensal de 5,2 mil procedimentos atendidos. Nas unidades com profissionais da cooperativa, também estão suspensos os exames eletivos que necessitam de aplicação de anestesia nos pacientes. Na Liga Contra o Câncer, por exemplo, biópsias, ressonâncias, tomografias, endoscopias e colonoscopias só são realizadas em pessoas que apresentam quadro de urgência, desde o último dia 15.


Os anestesiologistas cooperados mantêm todos os serviços de urgência e as escalas de plantão nas maternidades de Natal, conforme previsto em contrato. O cumprimento dos plantões, aliás, já foi sinalizado pelos profissionais que pode ser a próxima prestação de serviço afetada se não houver uma proposta para dar fim ao impasse com o poder público estadual e municipal de Natal.


O desfecho para a paralisação passa pela negociação de pagamentos em atraso tanto por parte da Prefeitura do Natal, como do Governo do Rio Grande do Norte. Atualmente, a dívida total está na casa dos R$ 2,1 milhões. Porém, na próxima sexta-feira (30), outras folhas de pagamento irão fechar e, se não forem quitadas, o valor pode chegar aos R$ 4,7 milhões. A Coopanest afirma que mandou ofícios às duas secretarias de Saúde desde antes e durante o movimento paredista, mas não recebe resposta para dar encaminhamento sobre o assunto.


“É um descaso com a saúde, é um descaso com a cidade”, disse o presidente da Coopanest, Vinícius Luz. “Em mais de dez anos aqui, eu nunca vi isso acontecer dessa forma. Ainda mais dos dois lados, não é só o município, o estado também não está quitando seus valores. Então, é uma situação muito grave, vai ter um colapso no sistema nas próximas semanas se ninguém fazer nada. As contas não fecham, vai fazer como?”, questiona ele.


A reportagem da TRIBUNA DO NORTE tentou contato com a Secretaria Estadual da Saúde Pública (Sesap) e com a Secretaria Municipal de Saúde de Natal (SMS) e não recebeu respostas sobre as tratativas para finalizar a paralisação com a cooperativa dos anestesiologistas até a publicação desta matéria.


Plantões

A Coopanest também tem contratos para atendimentos em escalas de plantão nas maternidades municipais de Natal: Araken Pinto e Leide Morais. Atualmente, esses serviços não são afetados pela paralisação dos anestesiologistas, mas vai se abrir a possibilidade de desfalque se o dinheiro dos salários não forem pagos, segundo o presidente da cooperativa, Vinícius da Luz.


“Existe essa possibilidade, mas não é o que estamos fazendo no momento. E isso pode acontecer não por indicação da cooperativa, mas porque os profissionais vão acabar parando de trabalhar pela falta de recebimento. Vai acontecer de o anestesista falar 'eu não vou mais porque eu não estou recebendo há alguns meses e eu não tenho mais interesse'. Isso vai afetar o sistema materno-infantil”, disse o presidente.


Vinícius da Luz lembra que a rede municipal tem anestesiologistas estatutários que trabalham juntos com os cooperados e que ficariam sobrecarregados em caso de suspensão do cumprimento das escalas. “Se não for tomada nenhuma atitude nas próximas semanas, eu acredito que pode ocorrer prejuízo para as escalas de plantão já na primeira quinzena de janeiro. Porque veraneio é um período que o pessoal está de férias, naturalmente já é difícil fechar as escalas e ainda mais sem pagar”, concluiu.





Por Tribuna do Norte

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