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Redepetro-RN alerta para prejuízos caso Petrobras suspenda venda de ativos

O anúncio de que a Petrobras analisa um pedido do Ministério de Minas e Energia (MME) para suspender a venda de ativos próprios por 90 dias tem provocado temor entre entidades que atuam no setor. No Rio Grande do Norte, a preocupação é com os impactos na geração de empregos e no fechamento de novos negócios, conforme entidades ouvidas pela TRIBUNA DO NORTE. Para o presidente da Redepetro/RN, Gutemberg Dias, a retomada das operações pela Petrobras, caso ocorra, provocará um “freio de arrumação enorme” em toda a cadeia.



Com independentes produção de petróleo onshore saltou de 4 mil barris por dia para 35 mil barris por dia /Adriano Abreu


Apesar disso, ele relatou não acreditar em um retorno das operações do Polo Potiguar pela Petrobras, o que resultaria em quebra de contrato. A compra do ativo pela 3R Petroleum começou em janeiro do ano passado. “A 3R já está contratando as empresas que vão operar junto com ela em regime de terceirização. Se isso acontecer [retomada das operações pela Petrobras], a cadeia como um todo vai desandar. Vai ser um freio de arrumação enorme”, alerta.

Dias afirma que, no cenário atual, “quase todas as empresas retomaram as atividades após o percurso de desinvestimento e estão em retomada de crescimento, com ampliações e contratação de pessoal”. Segundo ele, o cenário resulta do novo modelo implantado – de abrir os campos maduros para os operadores privados. Além dos impactos em novos contratos, o presidente da Redepetro chama atenção para o fato de que, com o retorno da Petrobras, a concorrência deverá ficar mais ampliada e burocrática.

“Hoje, nós conseguimos ter contratações com empresas locais com muito mais facilidade. No sistema da Petrobras, eu tenho que concorrer com empresas nacionais”, diz. Marcelo Queiroz, presidente da Fecomércio/RN, disse avaliar a suspensão da venda como “um retrocesso para toda a cadeia produtiva ligada aos campos maduros de petróleo do RN”. Queiroz afirmou que, com a chegada de mais empresas operadoras independentes, “houve recuperação do número de negócios no setor, aumento da competitividade, além da revitalização do mercado de exploração e produção do petróleo em terra”.


Ele citou que a extração de petróleo em terra voltou a gerar ocupação e renda no RN e a fazer girar toda uma cadeia de serviços em seu entorno. “Tudo isso está sob ameaça agora. Desde que as empresas independentes começaram a operar no RN a produção de petróleo onshore saltou de pouco mais de 4 mil barris/dia para 35 mil barris/dia, graças a investimentos que já somam mais de R$ 1,5 bilhão feitos pelas empresas que compraram os campos”, destacou.


O secretário executivo da Associação Brasileira de Produtores Independentes de Petróleo e Gás Natural (ABPIP), Anabal Santos Júnior, aponta que, se a venda dos ativos for interrompida, os impactos serão muito negativos para o Rio Grande do Norte. “As produções não vão crescer e isso significa voltar ao status quo de ter empregados terceirizados em condição de precariedade, onde um trabalhador praticamente não tinha férias”, explica. “Antes [quando a Petrobras operava os campos], se fazia contratos de dois anos, as empresas mudavam ao fim desse período e na troca de uma para outra, o trabalhador não tirava férias”, declara Anabal Júnior.


A Petrobras não nominou quais processos poderão ser avaliados a pedido do MME. Nesta quinta-feira (2), o presidente da petroleira, Jean Paul Prates, disse em teleconferência com analistas e investidores, que a estatal não vai “necessariamente, sair vendendo ativos por decisões governamentais”. Prates afirmou que a Petrobras irá “fazer decisões de empresa” e deixou claro que vai “aproveitar essa janela de oportunidade que o governo permitiu” para olhar mais atentamente para os ativos e para convocar compradores para avaliar negociações. Ele lembrou que algumas das vendas estão em fase final, “mas ainda sob responsabilidade da Petrobras”.



Com informações da Tribuna do Norte.

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