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Sem nova licitação, Aeroporto Aluízio Alves acumula problemas


A falta de segurança na área de desembarque, baixa iluminação, escassez de lojas e de informações básicas para que os turistas possam se localizar, além de um ar-condicionado que nem sempre funciona, são problemas abordados por trabalhadores e turistas que frequentam o Aeroporto Internacional Aluízio Alves. Para eles, a situação se dá pela falta de investimento no local, que passa por um processo de licitação há pelo menos três anos. Presidentes de entidades do turismo também consideram que a falta de licitação tem prejudicado o equipamento.



Reportagem da TRIBUNA DO NORTE esteve no Aeroporto e ouviu inúmeras reclamações. Usuários reclamam de “abandono” / Adriano Abreu


A reportagem da TRIBUNA DO NORTE esteve no aeroporto para colher depoimentos. Mesmo os turistas que passam pelo local pela primeira vez já perceberam os problemas. É o caso do enfermeiro Sérgio Rodrigues, 31, que costumava chegar em Natal de ônibus, mas preferiu vir de avião dessa vez. “Não tem luz aqui e as lojas são escassas. Nos outros aeroportos tem mais restaurantes e aqui é mais escasso disso”, afirma.


Além dele, as veterinárias, Lídia Sperandio, 25, e Thaísa Xavier, que retornam para São Paulo nesta madrugada repercutem o mesmos problemas. As duas precisaram ficar no aeroporto durante toda a tarde desta terça-feira (13) e parte da noite por conta de um adiamento no vôo. Ambas se preocupam com a estadia. “Não tem tomada, eu vou ficar sem celular ou pedir a alguma dessas lojinhas para ver se fornecem uma tomada para eu poder carregar meu celular”, comenta Lídia.


“Está muito quente para essa cidade e eu estou achando escuro e a internet aqui não funciona tão bem”, é a reclamação de Thaísa. De acordo com elas, o aeroporto de Natal não reflete as condições da estadia na capital potiguar, que foi satisfatória. “Luz, ar-condicionado e wifi, tudo isso é importante. Tomada eu achei indignante não ter”, complementa.


Um dos funcionários que preferiu não ser identificado comenta que costumam ser alvo de constantes reclamações. “Já teve reclamação de turistas, de passageiros, sobre essa questão e eu já bati muito sobre isso, a questão da iluminação do aeroporto”, diz. O ar-condicionado, que nem sempre funciona também é um ponto que gera desconforto. “Acho que é para tentar diminuir o custo e isso influencia diretamente o passageiro, que é o principal cliente”, completa.


Ele comenta, ainda, que durante a pandemia uma loja chegou a ser arrombada. “Já teve loja que foi arrombada aqui na pandemia, que estava mais vazio, não tinha segurança e houve muitas demissões. Não conseguimos identificar a pessoa mesmo com as câmeras de segurança”, relata.


Casal perde vôo por falta de avisos


O casal, Thainá do Nascimento, 28 e Danilo Basílio, 33, relatou que perderam um vôo por falta de avisos sonoros na tarde desta terça. Eles chegaram ao aeroporto por volta de meio-dia e o vôo para São Paulo estava agendado para 13h10, mas devido ao mau tempo em São Paulo, o vôo precisou ser adiado para as 15h20. Os dois esperaram na área de check-in durante esse tempo, orientados por um dos funcionários da companhia aérea e não ouviram nenhum chamado para embarque.


As 15h, quando tentaram entrar para o embarque, foram informados que o vôo já havia partido. “Não teve aviso sonoro do lado de fora (check-in) porque o correto é ter nos dois campos, tanto lá dentro (embarque), quanto aqui”, comenta Thainá. Até o momento da entrevista, os dois não tinham sido realocados em outro avião.


Reclamações são constantes entre funcionários


Para um dos funcionários, o principal problema é a falta de fiscalização para retirar motoristas clandestinos que acabam atrapalhando os tranfers, empresas credenciadas que trabalham com transporte de turistas. “Como a gente trabalha com Transfer aqui, a gente sofre muito com a questão dos clandestinos porque o pessoal entra aqui, uber ou qualquer um que tem carro, aborda e vai embora. Quando chega na cancela, nem estacionamento eles pagam”, comenta.


Além da falta de fiscalização, a escassez de seguranças na porta de desembarque é percebida há anos por uma das funcionárias. “Falta segurança também, nesse ponto está abandonado. Faz muito tempo que não tem vigilância na porta do desembarque, há mais de anos. Então fica muito vulnerável para nós que somos funcionários e para os turistas. Acho que deveria ter mais assistência o aeroporto”, afirma.


O motorista de aplicativo, Hudson Oliveira, 33, conta que ouve diversas reclamações de turistas sobre a falta de sinalização nas saídas e de pessoas para orientarem dentro do local. “Eles dizem que não tem ninguém informando onde é a saída, qual o local de pegar o uber, como fazer para encontrar o check-in. Essas coisas a gente escuta muito. Não tem uma pessoa para orientar”, relata. A TRIBUNA procurou o presidente da empresa, Ibernon Gomes, que disse que a empresa continua a gerir o aeroporto e realiza todas as atividades de manutenção, que são obrigatórias. Ele não comentou as reclamações específicas dos turistas. O espaço segue aberto para manifestação.


Turismo diz que falta investimento


A presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens, Michelle Pereira, atribui os problemas ao processo de licitação. “Tudo que está em processo de mudança, de relicitação, termina não buscando melhoras”, afirma. Ela diz que é uma situação prejudicial para o turismo.“Eu sei que prejudica completamente porque você não busca novos investimentos como lojas, como manutenção. Isso é fato que prejudica de uma maneira geral”, diz.


A vice-presidente do Sindicato das Empresas de Turismo do RN (Sindetur), Beca Bolonha, afirma que o turista tem a sensação de que o aeroporto está abandonado. “Aí que ele vai ter a sensação que o aeroporto está praticamente abandonado”, diz. Uma situação que se arrasta há muito tempo, desde que a Inframérica assumiu a administração do local, afirma Bolonha.


Além delas, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do RN (ABIH), Abdon Gosson, afirma que o aeroporto está sendo deteriorado. “O equipamento está sendo deteriorado, abandonado, tem uma precariedade forte na administração dele”, diz. De acordo com ele, o aeroporto de Natal é a porta de entrada para o turismo na cidade, mas acaba deixando uma má impressão com os turistas que chegam na capital.


Gosson afirma que a administração do local precisaria estar mais presente na divulgação e melhoria do Destino Natal como uma alternativa para levantar o turismo. “Ampliação da malha aérea, divulgação do destino era para trabalhar e nunca trabalhou junto conosco do turismo, trazer novos vôos”, completa. “A licitação precisa ser feita de maneira mais rápida possível porque prejudica o turismo”, finaliza.



Por Tribuna do Norte


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